Instituto Politécnico de Lisboa

Cuidados de Saúde Primários

Para promover a reflexão sobre a intervenção dos Profissionais das Tecnologias da Saúde nos Cuidados de Saúde Primários foi criado do Grupo de Interesse para os Cuidados de Saúde Primários (CSP)  com as seguintes competências:
 
- Divulgar as competências das áreas de estudo e de intervenção dos profissionais de diagnóstico e terapêutica nos CSP;
- Sensibilizar a comunidade académica da Escola para a relevância dos CSP no âmbito do Sistema Nacional de Saúde;
- Promover a Escola como potencial parceira na rede de CSP, nomeadamente na dimensão ensino, investigação e prestação de serviços à comunidade;
- Promover a investigação na Escola na área dos CSP;
- Promover a identificação e o desenvolvimento de novas áreas de intervenção das ciências e tecnologias da saúde nos CSP.


Membros

Ana Monteiro
André Coelho
Carla Lança
Diogo Ricardo
Filipe Fernandes
Ilda Poças
Joana Belo
João Lobato
José Pedro Matos
Mário Briôa
Rute Borrego
Vítor Manteigas
Wilson Quintino

 
Ciclo de Conferências: Tecnologias da Saúde nos Cuidados de Saúde Primários 

No âmbito da reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) que estabelece a criação, a estruturação e o funcionamento dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), em 2009, deu início a um Ciclo de Conferências com a finalidade de promover a reflexão sobre a intervenção das Tecnologias da Saúde nos Cuidados de Saúde Primários.
 
As Conferências acontecem com uma periodicidade bianual em que as temáticas vão acompanhando a atualidade dos CSP em Portugal e as necessidades e prioridades associadas às ciências e tecnologias da saúde. Assim, descrevem-se de seguida as principais reflexões das diferentes conferências.

1ª Conferência - “A Reforma em Curso e os Profissionais das Tecnologias da Saúde” 
3 de junho de 2009
A primeira Conferência contou com 416 participantes e versou a temática desafiante da implementação da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários. Nesta conferência foram proferidas comunicações que demonstraram a importância da reforma e na sua visão inovadora de cuidados de proximidade e na comunidade para o cidadão.


2ª Conferência - “Intervenção em Equipa” -
24 de novembro de 2009
Nesta conferência, que contou com 361 participantes, a reflexão desenvolveu-se em torno da intervenção em equipa. A Governação Clínica foi reconhecida como sendo uma estratégia para a melhoria da qualidade contínua. A cultura da monitorização e da avaliação da qualidade foi também enfatizada, devendo ser reforçada e objetivamente implementada, de modo a que se consiga medir o produto do trabalho desenvolvido em torno da comunidade, ou seja, resultados em saúde (efetividade).


3ª Conferência - “Saúde e Estilos de Vida” -
19 de outubro de 2010
Nesta conferência, que contou com 188 participantes, foi enfatizada a mudança de paradigma que assola as sociedades atuais, decorrente da evolução epidemiológica das patologias relacionadas com os estilos de vida. Foram apontadas estratégias essenciais para o combate de comportamentos de risco, como o aumento da literacia e empowerment dos cidadãos e a sua consequente coresponsabilização pelos estilos de vida adotados (cidadão enquanto utente com direitos e deveres).


4ª Conferência - "Cidadania" 
10 de maio de 2011
Nesta conferência, que contou com 113 participantes, o tema da cidadania foi debatido. Reconheceu-se a importância do cidadão como referência central do sistema de saúde e como um elemento gestor do seu processo de saúde. Neste âmbito, assume especial relevância o desenvolvimento de competências, de modo a estimular e mobilizar a sociedade civil. O conceito de literacia emerge como elemento integrador do processo de autogestão da saúde.

5ª Conferência – “Acessibilidade” 
17 de abril de 2012
Nesta Conferência, que contou com 170 participantes, o tema da Acessibilidade em Saúde foi desenvolvido apoiando-se na dimensão da Equidade, essencial para a redução das desigualdades em saúde. Foi possível refletir em conjunto com outros parceiros, a perspetiva urbanística, identificando necessidades de acessibilidade com consequentes planos de ação/intervenção para redução de carências em interligação com as necessidades de saúde. Emerge deste encontro uma nova visão da ESTeSL como elemento futuro integrador das perspetivas da investigação e da educação para a saúde, através da prestação à comunidade serviços à comunidade em interdisciplinaridade com as equipas que compõem os ACES.


6ª Conferência – “Qualidade nos Cuidados de Saúde Primários”  
27 de novembro de 2012
Esta conferência promoveu a reflexão em torno da qualidade em saúde com vista à promoção de uma cultura de qualidade nos cuidados de saúde primários. No mundo vasto da qualidade, a discussão centrou-se ao nível da qualidade clínica e organizacional abordando a (1) importância da acreditação das unidades de saúde, (2) o papel e o impacto das normas técnicas e clínicas na prática dos profissionais de saúde, (3) os métodos de monitorização de desempenho das unidades e dos profissionais e ainda (4) a importância da satisfação dos utentes e profissionais no sucesso das organizações. Do evento destaca-se a necessidade de, ao nível dos cuidados de saúde primários, se dinamizar uma cultura de qualidade que permita a prestação de cuidados de saúde com e de melhor qualidade.


Contributos

No âmbito da reflexão promovida em torno dos eixos estratégicos prioritários para o Plano Nacional de Saúde 2011-2016 (PNS 2011-2016) a ESTeSL apresentou a sua proposta com 8 linhas de ação:

  • Integrar as instituições de ensino superior na rede de cuidados em saúde, como parceiros ativos;
  • Reconhecer as instituições de ensino superior como meios e polos de intervenção comunitária e agentes ativos na educação para a saúde; capacitação em saúde; literacia em saúde; comunicação em saúde;
  • Promover e apoiar as instituições de ensino superior na intervenção comunitária e no incrementar de parcerias em saúde (poder local, organizações da sociedade civil, organizações da sociedade cientifica, associações de doentes), com a finalidade de potenciar a equidade e a acessibilidade aos cuidados de saúde;
  • Reconhecer e apoiar a produção e desenvolvimento de saber científico das instituições de ensino superior como evidência para a assunção de boas práticas em saúde;
  • Reconhecer as instituições de ensino superior em saúde como centros de avaliação e rastreio em integração e referenciação com a rede de cuidados de saúde;
  • Capitalizar a intervenção em saúde das profissões de diagnóstico e intervenção em saúde (profissionais de diagnostico e terapêutica) para a estratégia integrada dos cuidados de saúde (primários, secundários e terciários); 
  • Reconhecer as profissões de diagnóstico e intervenção em saúde (profissionais de diagnostico e terapêutica) nos eixos estratégicos de intervenção, nomeadamente: na saúde visual, na saúde nutricional, na saúde ambiental, na saúde ocupacional, na redução da incidência e prevalência das doenças crónicas (p. ex. doenças oncológicas, doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, doenças do foro respiratório) e no uso racional do medicamento, para os ganhos em saúde;
  • Promover a constituição de equipas multidisciplinares com a integração de profissionais de diagnóstico e intervenção em saúde (profissionais de diagnostico e terapêutica) para melhor rendibilizar a intervenção em saúde;
  • Investir na cultura para a qualidade em saúde nos eixos da investigação, do ensino e da prestação, reconhecendo a necessidade da formação de auditores em sistemas integrados aplicados à saúde.