À conversa com Manuel Delgado...

O Conselho de Representantes é o órgão máximo da ESTeSL, tendo como principal missão a eleição do Presidente, assim como a aprovação e supervisão do plano de atividades e do relatório e contas. Este órgão é constituído por 15 membros eleitos: 9 professores de carreira e investigadores, 2 estudantes, 2 funcionários não docentes e 2 elementos externos à Escola.
Esta semana estivemos à conversa com o Dr. Manuel Delgado, um dos membros externos que integra o Conselho de Representantes da ESTeSL desde 2010. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa e Pós-graduado em Administração Hospitalar pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, o Dr. Manuel Delgado tem uma vasta experiência ao nível da administração hospitalar tendo ocupado os cargos de administrador delegado do subgrupo Hospitalar dos Capuchos/Desterro, de 1997 a 2004 e de Presidente do Conselho de Administração dos Hospitais Pulido Valente, de 2005 a 2007 e Curry Cabral, de 2007 a 2010. É atualmente Diretor-geral da IASIST Portugal, uma empresa que contribui para melhorar a qualidade e a eficiência das organizações na prestação de cuidados de saúde.
Na sua opinião, qual é a mais-valia da integração de membros externos em órgãos de governo de instituições de ensino superior.
O governo de instituições académicas pressupõe uma atenção permanente ao que se passa na sociedade: os valores, a demografia, a economia, a cultura, o emprego, as idiossincrasias próprias da juventude e das famílias, etc. E por isso, a existência de órgãos de governo que façam a ponte entre a vida da instituição e a comunidade parece-me da maior relevância. É neste contexto que se insere a participação de membros externos no Conselho de Representantes da ESTeSL, facto que muito me apraz registar, pois tenho integrado com muita honra, esse órgão nos últimos anos.
Qual a importância das instituições de ensino superior manterem uma estratégia de proximidade com a comunidade e as instituições de saúde, a nível nacional e internacional.
A estratégia de aproximação à Comunidade, especialmente a outras instituições de Saúde, em Portugal e no estrangeiro, parece-me neste contexto, um caminho acertado, não só pelo reconhecimento e reputação que a ESTeSL vai cimentando na comunidade, mas também, e especificamente, junto dos outros players, designadamente, das instituições e serviços que prestam cuidados de Saúde, quer no sector público, quer no sector privado.
Como é que o seu percurso se cruzou com o percurso da ESTeSL e o que acha que distingue a nossa Escola?
Iniciei os meus contactos com a ESTeSL, como docente, nos finais da década de oitenta do século passado, ainda em Entrecampos e registo com muita satisfação, as dezenas de técnicos de diagnóstico e terapêutica que então conheci como estudantes e que hoje desempenham as mais elevadas funções de coordenação em muitos hospitais da área de Lisboa e um pouco noutros pontos do país.
A ESTeSL desenvolveu-se de forma consistente ao longo destas décadas, ampliando o seu leque de formação e o número de alunos e de profissionais. Sempre com melhorias visíveis na sua estrutura (desde logo o grande salto que foi a passagem para as novas instalações da EXPO), mas também na qualidade e apetrechamento dos seus docentes, hoje em dia, e de forma categórica, dos melhores corpos docentes neste segmento de ensino. E que alia à sua competência académica e pedagógica a vivencia da realidade dos serviços e da prática clínica.
Direi a propósito que esta componente, muito importante, da ligação à prática faz a parte do ADN da ESTeSL, já que ao longo dos anos da sua existência foi constituindo um acervo de locais de estágio de grande prestígio e competência, o que propicia aos seus alunos, e também docentes, um excelente terreno para a sua formação e aperfeiçoamento.
Gostaria de deixar uma mensagem para os nossos estudantes.
Hoje, o mercado de emprego na área da Saúde confronta-se com fortes constrangimentos, dada a escassez de oferta de novos postos de trabalho que resulta da grave crise que atravessamos e da redução de custos que é imposta às instituições públicas e privadas. Os futuros profissionais têm, pois, de lutar com muitas dificuldades para poder almejar um emprego no sector. E neste ponto, importará refletir sobre a elevada competitividade que o mercado hoje impõe aos recém-licenciados, obrigando-os a ser cada vez melhores, mais competentes e dedicados à sua profissão.
Interessa, por isso, que os mais novos se orientem por alguns paradigmas essenciais:
- 1º - Ser um profissional competente e trabalhador.
- 2º - Estar disponível para enfrentar novos desafios, inclusivamente abraçando a sua profissão noutros locais ou noutros países.
- 3º - Ser competitivo mas leal, percebendo que a competitividade tem regras, e o respeito pela competência e dignidade dos outros é um valor imprescindível no exercício da cidadania.
