Instituto Politécnico de Lisboa

IL23R polymorphisms influence phenotype and response to therapy in patients with ulcerative colitis 3 fev 2014

IL23R polymorphisms influence phenotype and response to therapy in patients with ulcerative colitis

Alerta das Ciências Naturais e Exatas nº23/2013 - 03 de fevereiro de 2014







Autores
Cravo ML, Ferreira PA, Sousa P, Moura-Santos P, Velho S, Tavares L, de Deus JR, Ministro P, Peixe P, Correia LA, Velosa JF, Maio RF, Brito M.

State-of-the-art
A farmacogenética é uma ciência emergente que estuda a associação entre a variabilidade genética individual e a resposta á terapia farmacológica. Pretende determinar genótipos específicos de genes associados á droga ou á patologia, que permitam a aplicação de uma terapia personalizada, e que garanta uma resposta eficaz do paciente à terapia.

O objetivo deste trabalho foi avaliar os polimorfismos do receptor (IL23R) como preditores clínicos e genéticos da resposta à terapia em pacientes com colite ulcerosa.

Metodologia
Um total de 174 pacientes com colite ulcerosa, 99 mulheres e 75 homens, foram incluídos. A idade média dos pacientes foi de 47±15 anos e a duração média da doença foi de 11±9 anos. O número de pacientes classificados como respondedores (R) ou não respondedores (NR) às diversas terapias foi a seguinte: 110 R e 53 NR para mesalazina (5-ASA), 28 R e 20 NR para a azatioprina (AZT), 18 R e 7 NR para o infliximab. Um total de quatro SNPs (polimorfismos) foram estudados: IL23R G1142A, C2370A, G43045A e G9T. A genotipagem foi efetuada por PCR em Tempo Real utilizando sondas Taqman.

Resultados
Os pacientes mais velhos foram os que tiveram maior probabilidade de responder à 5-ASA (P = 0,004), ao passo que aqueles com pancolite tinham menor probabilidade a responder às terapias (P = 0,002). Pacientes com manifestações extra-intestinais (EIMs) foram menos propensos a responder à 5-ASA (P = 0,001), ao AZT (P = 0,03) e aos corticosteróides (P = 0,06). Portadores do alelo mutante para IL23R tiveram uma probabilidade significativamente maior de desenvolver EIMs (P < 0.05), uma maior probabilidade de ser refratários ao 5-ASA (P < 0,03), mas uma maior probabilidade de responder ao AZT (P = 0,05). Observou-se um sinergismo significativo entre IL23R C2370A e EIMs, no que diz respeito ser não respondedor ao 5-ASA (P = 0,03).

Conclusão
Além da extensão da doença e a idade de início da doença, a presença de EIMs pode ser um marcador de refratariedade ao 5-ASA, aos corticosteróides e ao AZT. Os polimorfismos do gene IL23R estão associados com EIMs e ser não respondedor ao 5-ASA e aos corticosteróides.

Relevância para as tecnologias da Saúde
Este artigo evidencia a importância da multidisciplinariedade ao nível da gestão da doença. Neste caso concreto a aplicação da farmacogenética, envolvendo o diagnóstico laboratorial, o quadro clinico e a decisão terapêutica, a nível personalizado.

Artigo original disponível em:
http://journals.lww.com/eurojgh/pages/articleviewer.aspx?year=2014&issue=01000&article=00005&type=abstract