Instituto Politécnico de Lisboa

Microbiota modulate behavioral and physiological abnormalities associated with neurodevelopmental .. 31 mar 2014

Microbiota modulate behavioral and physiological abnormalities associated with neurodevelopmental ..

Alerta das Ciências Naturais e Exatas nº26/2014 - 31 de março de 2014

 

 

Artigo

Microbiota modulate behavioral and physiological abnormalities associated with neurodevelopmental disorders.


Autores

Hsiao EY, McBride SW, Hsien S, Sharon G, Hyde ER, McCue T, Codelli JA, Chow J, Reisman SE, Petrosino JF, Patterson PH, Mazmanian SK.


“State-of-the-art”

Doenças do foro de desenvolvimento neurológico, incluindo o autismo (ASD), são caracterizadas por um conjunto de comportamentos alterados, porém, um sub-grupo de indivíduos que sofrem de ASD exibem alterações do foro gastrointestinal (GI) directamente correlacionáveis com a intensidade dos sintomas comportamentais. Terapia para os principais sintomas do autismo são raras e os estudos sobre ASD raramente abordam problemas do foro GI.


Principais resultados obtidos

No modelo animal (MIA) para o estudo de ASD existem de alterações da barreira GI assim como da microbiota intestinal (disbiose de bactérias da classe Costridia e Bacteroidia).
Ratinhos MIA recém nascidos sujeitos a um tratamento oral com bactérias Bacteroides fragilis apresentam a permeabilidade do duodeno e microbiota intestinal ‘restaurada’ bem como alívio de comportamentos defectivos a nivel sensorial-motor, comunicação e anxiedade.
Os ratinhos MIA recém nascidos exibem perfis metabolómicos séricos alterados e sabe-se que B. fragilis modula os níveis de vários metabolitos. O tratamento de ratinhos controlo com um metabolito incrementado nos MIA, metabolizável por B. fragilis, leva a alterações comportamentais.
Os autores concluem que a microbiota bacteriana tem efeitos sobre o perfil metabolómico do hospedeiro (ratinho) e consequentemente tem impacto no seu comportamento.


Relevância para as tecnologias da saúde

Este trabalho identifica uma potencial terapia para algumas doenças de foro neurológico baseada em probióticos e, simultaneamente, mostra a importância duma vertente negligenciada: o estudo, análises/identificações, de microorganismos que co-habitam no organismo humano. Isto é, urge o estudo do que nos coloniza e não apenas do que nos nos invade e/ou é considerado patogénico. Por exemplo, a disbiose da microbiota também está descrita no quadro de doenças cardiovasculares, doença inflamatória intestinal e obesidade.

 

Artigo disponível em:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24315484