Instituto Politécnico de Lisboa

À conversa com Diogo Sanches… 10 maio 2013


Diogo Sanches realizou mobilidade ao abrigo do Programa LLP-Erasmus em Estocolmo e, depois de uma curta passagem por Portugal, regressou à Suécia onde desempenha atualmente a sua atividade profissional.

Os seus interesses incluem a Ecocardiografia e o Estudo da Função Respiratória e escolheu a ESTeSL por uma questão de qualidade de ensino e reconhecimento na área da Saúde.

Esta semana estivemos à conversa com Diogo Sanches, que concluiu a sua licenciatura em Cardiopneumologia na ESTeSL em 2010.

Fale-nos um pouco do seu percurso a nível académico e profissional.
Enquanto estudante de Cardiopneumologia decidi fazer mobilidade ao abrigo do Programa LLP-Erasmus. Suécia, Finlândia ou Itália? Estes eram os países disponivéis para a realização de Erasmus. Suécia, Estocolmo, foi a minha opção pelo facto de ser um país nórdico reconhecido pelo investimento nas áreas da Educação e Saúde. Os contatos foram estabelecidos e, em janeiro de 2010, embarquei com destino à Suécia por um período de 6 meses. Durante este tempo, percorri três hospitais na área de Estocolmo realizando Estágio Curricular em Ecocardiografia e Técnicas Invasivas Cardiovasculares. Expectativas superadas por ambas as partes!

Em junho de 2010, voltei a Portugal e comecei a procura de emprego. Currículos enviados, ausência de respostas, respostas negativas… Tentativas de ir para o estrangeiro, Londres, Irlanda, entre outros, mas a ausência de experiência profissional era um obstáculo!

Em janeiro de 2011, decidi efetuar um estágio profissional não remunerado na área da Electrocardiografia, nas Urgências do Hospital Curry Cabral e, simultaneamente, participei num projeto, desenvolvido pela ESTeSL, na área da Função Respiratória.

Durante dois meses, dividi o meu tempo entre estas duas instituições, até que tive conhecimento de uma oferta de emprego no Hospital de Cascais. Agarrei no Curriculum e, pessoalmente, fi-lo chegar à pessoa responsável pelo processo de recrutamento. Obtive o meu primeiro emprego em contexto hospitalar e, com ele, a experiência exigida para trabalhar no estrangeiro, pois nem sempre são reconhecidos os estágios não remunerados.

Electrocardiogramas, Provas de Esforço, Análise de Holter e MAPA eram as minhas funções. Dado o meu interesse na área da Ecocardiografia, e de forma a não perder os conhecimentos adquiridos, solicitei a realização de um estágio não remunerado no Hospital Pulido Valente, entre uma a duas vezes por semana, mantendo assim o contacto com a Ecocardiografia. Pedido aceite!

Em julho de 2011, apanhei o avião com destino a Estocolmo. As minhas primeiras áreas de intervenção foram a Ecocardiografia e Análise de Holter, às quais me dediquei exclusivamente durante um ano. Durante esse período, tive de aprender a língua sueca. O hospital deu-me a possibilidade e os recursos para que fosse possível estudar durante o período da manhã e trabalhar durante a tarde. Após a aquisição de um nível mínimo de Sueco, comecei a trabalhar a 100% no hospital e a estudar em período pós laboral duas vezes por semana. O tempo livre foi por vezes ocupado pela língua sueca, mas com a língua veio também o desempenho de novas funções, nomeadamente a realização de Estudos da Função Respiratória, área pela qual sou actualmente responsável.

A formação contínua é algo constante em terras Suecas. Como tal, recebi inicialmente uma formação em Suporte Básico de Vida Adulto e, mais tarde, realizei um curso em Ecocardiografia. No corrente ano, tive a oportunidade de viajar até Gotemburgo, onde decorreu um curso em Função Respiratória e, mais recentemente, em Uppsala, onde realizei uma formação em Ecocardiografia 3D, a qual virá a ser implementada no quotidiano do laboratório.  

Gostaria de dar a conhecer alguns projectos que tenha desenvolvido ou esteja a desenvolver?
Neste momento, estou a participar na realização de um projeto de investigação que tem como objetivo a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da doença valvular aórtica – Advanced Study of Aortic Pathology (ASAP). Este estudo possui uma amostra de 600 doentes e tem vindo a decorrer ao longo de 6 anos.

Simultaneamente, procuro desenvolver a área de Função Respiratória através da actualização e formação constantes. Single breath and multiple breath washout (SBW and MBW) são técnicas cuja utilidade no diagnóstico precoce de fibrose cística e/ou Asma está a ser alvo de investigação. Um outro projeto do qual faço parte pretende detectar a presença de eventuais alterações do padrão ventilatório em indivíduos nascidos prematuramente.

Porquê a escolha de uma carreira internacional?
A escolha de uma carreira internacional foi algo que já tinha ponderado nos meus tempos de estudante. Conhecer novas realidades, abrir horizontes e ver o modo de funcionamento do sistema de saúde em outros países é sempre uma mais-valia. Simultaneamente, o reconhecimento da nossa profissão no estrangeiro, acompanhado de um salário superior, melhores condições de trabalho e a escassez de oportunidades nacionais fazem do estrangeiro uma oportunidade única e de aproveitar.

O seu curso de licenciatura foi a sua primeira opção?
O curso de Cardiopneumologia foi a minha terceira opção! No entanto, após ter concluído o curso fiquei satisfeito com os conhecimentos adquiridos e com a aplicabilidade dos mesmos. O reconhecimento do curso e das nossas competências no estrangeiro é algo que superou as minhas expectativas.

O que recorda da ESTeSL?
Da ESTeSL recordo os meus tempos de estudante, as praxes, bons amigos e algumas noites sem dormir! Rigor e excelente formação!

O que diferencia a ESTeSL?
A ESTeSL tem um local privilegiado no centro urbano de Lisboa, bons acessos, excelentes professores, uma variedade de acordos com diversas instituições nacionais e internacionais que permitem o contacto com o mercado de trabalho. De destacar, também, as instalações modernas, nomeadamente os laboratórios internos que permitem a prática regular de exames de diagnóstico a serem realizados em contexto hospitalar.

Gostaria de deixar uma mensagem ou conselhos para os nossos atuais estudantes?
O mercado de trabalho na área de Cardiopneumologia está bastante saturado a nível nacional. O estrangeiro continua a ser uma possibilidade viável com uma grande necessidade de profissionais de saúde, mas a falta de experiência pode ser um obstáculo. Aconselho todos os que poderem a realizarem algum tipo de mobilidade no estrangeiro, enquanto estudantes ao abrigo do programa Erasmus, ou como profissionais no âmbito do programa Leonardo Da Vinci. Estes permitem abrir horizontes, conhecer novas realidades e abrir portas a nível nacional ou internacional. Simultaneamente, e cada vez mais, penso que a aprendizagem de línguas estrangeiras é algo necessário, especialmente, para quem quer trabalhar no estrangeiro. As redes sociais podem também facilitar o processo de encontrar o primeiro emprego. Actualmente, estou inscrito numa rede social que tem como finalidade estabelecer contactos profissionais – Linkedin, e através desta já fui contactado para trabalhar em outros países, assim como, para fornecer informações profissionais sobre a Suécia. Talvez não seja má ideia dar uma espreitadela e ficar atento!




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