Instituto Politécnico de Lisboa

À conversa com José Macieira... 25 jun 2013

José Macieira
José Macieira concluiu o curso de Dietética na Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Lisboa em Dietética em 1985 e regressou à ESTeSL em 2007 para concluir a licenciatura em Dietética.

O desporto foi desde sempre uma das suas paixões. O gosto quase obstinado por transformar ideias em projetos e projetos em realidade, a par do forte sentido do «fazer», levou-o muito para além do que poderia ter sido um interessante trajeto convencional. Talvez por isso tenha recuperado a vontade de voltar a ser estudante e fechado um capítulo incompleto, quando na altura devida, essa possibilidade, simplesmente não existia.

Esta semana estivemos à conversa com José Macieira e conhecemos o seu curioso percurso profissional e académico sempre associado à Nutrição Desportiva, e em particular, à fisiologia do exercício e da nutrição.


Fale-nos um pouco do seu percurso académico e profissional.

Após concluir o meu curso em Dietética em 1985, ainda a ESTeSL se designava Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Lisboa, exerci funções de Dietista Clínico no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Na mesma época acompanhei uma equipa de basquetebol no Centro Recreativo Estrelas da Avenida e reuni uma equipa de especialistas (Dietética, Exercício e Endocrinologia) para oferecer um programa de controlo de peso no Ginásio Varequipe. Em 1987 lançaram-me o desafio de preparar um projeto para integração e desenvolvimento da Dietética Desportiva no âmbito das atividades da Direção-Geral dos Desportos, no Centro de Medicina Desportiva de Lisboa. - «Ouro sobre Azul» para as minhas convicções e competências da altura, mas em nada deu, nem resposta.
A entrada nos anos 90 foi sinónimo de uma viragem na minha atividade profissional. Nada que tenha sido planeado ou fruto de alguma infelicidade. O facto de me envolver em várias outras actividades propiciaram o reconhecimento alheio de outras competências e assim fui andando, de desafio em desafio, aprendendo e levando tudo muito a fundo e com forte sentido de missão.
A capacidade organizativa e motivacional terão sido provavelmente as mais queridas. Talvez por isso tenha abraçado tantos projetos inovadores, como a fundação do Banco Alimentar Contra a Fome em Portugal, ou antes ainda a preparação da candidatura da TVI ao licenciamento de um canal privado de televisão. A área das tecnologias de informação, na segunda metade dos anos 90, apaixonaram-me pelo potencial disruptivo na forma de trabalharmos e vivermos. Ainda na TVI fui gestor do sistema de informação da redação e uns anos depois dirigi vários projetos nas áreas do multimédia e da internet em diversas empresas, nomeadamente na Infordesportos / PT Multimédia e no Grupo Forum. Foram anos de aprendizagem e crescimento constante durante os quais realizei diversas formações na área da gestão, Total Quality Management – TQM e em Sistemas de informação - BASYS.
Não posso deixar de referir a minha participação, na qualidade de gestor de programa na UMIC e depois na Agência para a Modernização Administrativa, IP, no projeto do novo documento de identificação nacional, o “cartão de cidadão”. Foram seis anos de uma relevância pessoal imensa. Quebrar barreiras e estabelecer laços de cooperação entre pessoas e instituições solidamente habituadas aos silos hierárquicos, foram desafios intensos e apaixonantes.
Paralelamente fui mantendo a minha relação com a Dietética e com o mundo do Desporto, quer aconselhando desportistas, quer apostando na área do Ténis e dinamizando ações de divulgação e formação em diversas instituições. Destaco em particular a minha prestação nos seminários temáticos de Nutrição nos cursos de pós-graduação em Fisioterapia no Desporto, promovidos pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal.
Desde 2009 que me tornei professor de ténis, atividade que exerço com grande devoção. Para tal obtive o certificado de nível 1 pela Federação Portuguesa de Ténis e os níveis 1 e 2, já em 2011, através do certificado Registro Profesional de Tenis (Madrid – Espanha) e o consequente grau de “European Professional” pela “International Registry of Tennis Professionals”.
Finalmente, também o regresso ao terceiro setor. Depois do Banco Alimentar em 1991, apoio desde 2011 a Help Images, uma ONG especialista em media para o desenvolvimento e mais recentemente (2013), a Associação CAIS, colaborando nos projetos de empregabilidade e assumindo a responsabilidade de membro do conselho fiscal.


Este percurso que tem realizado é de facto diferente. O que acha que o move?

O sentido do que faço e cada vez mais a forma como faço. Claro que em tudo há a emoção do desafio, do ir mais longe, mais fundo, das pessoas com quem trabalho e interajo. Ao longo do meu percurso, tenho realizado diversos balanços e com eles percebido que aquilo que mais me realiza é quando tenho a oportunidade de partilhar aquilo que sei ou julgo saber.


Gostaria de dar a conhecer algum projetos que tenha desenvolvido ou esteja a desenvolver?

1) O projeto de investigação da cadeira de “Investigação Aplicada” deu-me particular gozo. Procurei identificar os determinantes da alimentação em alta montanha, tendo como objeto de estudo os comportamentos dos alpinistas que realizaram a expedição à montanha Makalu, a 5ª mais alta do mundo, localizada na cordilheira dos Himalaias e liderada pelo João Garcia. O trabalho, artigo e poster podem ser consultados a pedido, bastando requerer os mesmos ao Prof. Lino Mendes.
2) Um outro trabalho de investigação sobre o equilíbrio hídrico em atletas jovens de competição sob calor moderado realizado em 2009 resultou em observações e indícios muito interessantes. Infelizmente não produzi nenhum artigo sobre o mesmo, apenas relatórios parcelares (dos atletas) e uma enormidade de dados. Ainda assim, disponíveis a quem precisar de aferir resultados.
3) A convite do editor da Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto, escrevi um artigo de Revisão intitulado “Calor, Desidratação e Degradação Muscular no Exercício” (Julho 2009 Volume 3 Número 2, 22-32)


O que recorda da ESTeSL?

Excelente ambiente (colegas), bons professores na generalidade, ótimas instalações, um período de grande trabalho (fui estudante trabalhador) e muita dificuldade em apanhar o barco da cadeira de “Complementos de Bioestatística”.


Gostaria de deixar uma mensagem ou conselhos para os nossos atuais estudantes?

Sem qualquer paternalismo, procurem descobrir o que realmente gostam de fazer e façam disso a vossa profissão. Antes de sermos “rotulados” por alguma competência que adquirimos somos pessoas com talentos e motivações. Pois aqui estão os ingredientes da felicidade e, quem sabe, do sucesso (embora este termo esteja invariavelmente ligado ao dinheiro, acho-o mais apropriado se for ligado à felicidade). Acredito que precisamos de 3 coisas para nos realizarmos, conforme a teoria de Daniel Pink ilustrada no livro “Drive”: “Autonomia”, “Mestria” e “Sentido”. Se estivermos atentos em desenvolver estas dimensões, e a deixá-las desenvolver a quem depende de nós, seguramente seremos mais felizes e úteis!