Instituto Politécnico de Lisboa

À conversa com Pedro Patrício 9 abr 2014

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Esta semana estivemos à conversa com Pedro Patrício, que concluiu a sua licenciatura em Radiologia na ESTeSL em 2006 e atualmente integra a Direção Executiva do Hospital da Luz, como Diretor de Produção e é, simultaneamente, responsável pela Direção Central de Diagnóstico por Imagem da Espirito Santo Saúde para as 19 unidades de saúde do grupo.


Qual tem sido o seu percurso a nível de formação académica?

Fiz os estudos secundários no Liceu Sá Bandeira, em Santarém. Sou Licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Ao longo do tempo tenho realizado formação específica para as minhas funções de gestão atuais e formação pós-graduada, onde destaco a Pós-graduação em Sistemas de Gestão e Economia de Saúde e o Curso de Finanças da AESE/IESE-Escola de Direção e Negócios.


Qual tem sido o seu percurso Profissional?

Após completar o curso de Radiologia, trabalhei como Técnico Radiologia em algumas instituições de saúde, das quais destaco o Hospital Fernando da Fonseca (onde também fui monitor de estágio de estudantes da ESTeSL), Hospital de S.José e em empresas privadas como a Medicil, a Ultrasono, entre outras.

Em 2005 comecei a preparar o projeto da Imagiologia do Hospital da Luz, como coordenador desta área, que foi inaugurado no final de 2006. Consolidando o sucesso do Hospital da Luz, em 3 anos criámos mais algumas unidades ambulatórias, entre elas a Clínica Oeiras e o Centro Clínico da Amadora. Por outro lado, expandimos a rede de prestação de cuidados às restantes 16 unidades do país da Espirito Santo Saúde - ESS, ligando-as em termos operacionais e clínicos.
O destino, a competência e também a oportunidade, bem como a aposta arriscada do Conselho de Administração do Grupo Espírito Santo Saúde e do Hospital da Luz desafiaram-me para uma carreira de gestão. O percurso tem sido bastante positivo e superou as expectativas; comecei por ser o responsável da Direção de Centro de Gestão do Hospital da Luz para a área de Imagiologia, e rapidamente se alargou às áreas de Patologia Clínica, Atendimento Médico Permanente (urgência) e Medicina Geral e Familiar.

Recentemente, passei a integrar a Direção Executiva do Hospital da Luz, assumindo o cargo de Diretor de Produção. Esta função acumula com a responsabilidade da Direção Central de Diagnóstico por Imagem da Espirito Santo Saúde para as 19 unidades de saúde do grupo, onde também se inclui a PPP de Loures – Hospital Beatriz Ângelo, que tem sido um êxito em termos clínicos e de gestão.

Outra responsabilidade que assumo, da qual gosto bastante, é a coordenação geral de Estágios de Técnicos Saúde da ESTeSL para as unidades do Grupo ESS, na área de Lisboa.
Paralelamente à atividade profissional que é bastante intensa, sou vice-presidente da ATARP – Associação Portuguesa de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear.


Qual o segredo do seu sucesso profissional?

São as pessoas. As pessoas com quem tive e tenho o privilégio de trabalhar diariamente, e muitas foram as que contribuíram para a construção da minha postura profissional e do meu percurso. Não esqueço os professores e colegas da ESTeSL, os profissionais de saúde do Hospital Fernando da Fonseca, que deram o seu contributo para o meu crescimento, as equipas de gestão do Grupo ESS e todas as equipas operacionais com quem trabalho, desde os profissionais de saúde, aos administrativos e outros colaboradores do Grupo ESS. O meu sucesso profissional é pautado com o que aprendi com cada um deles, e estou convicto que algumas das pessoas que se cruzaram no meu percurso, irão ter um sucesso ainda maior que o meu.
A dinâmica, a proatividade, a exigência, a capacidade de trabalho, a irreverência que imprimo no meu dia-a-dia na liderança de equipas, são características pessoais que muito contribuem para este percurso, bem como os valores implementados pelo grupo ESS.


O que é para si liderança? E qual o seu maior desafio?

Liderar, desde sempre para mim é tudo menos “mandar”. Liderar é gerir pelo exemplo!
A liderança começa na escolha das equipas que se desenrola como a montagem de um puzzle, onde cada peça tem o seu encaixe perfeito. Por isso, só seremos bem-sucedidos na nossa liderança se encontrarmos as “peças” certas e as “encaixarmos” no seu lugar. Enquanto líder é o que faço, estimulo cada profissional “para o melhor encaixe”, e eles muitas vezes superam-se e eu enquanto líder supero-me também, porque vejo talento, crescimento individual e em grupo, e é isso que verdadeiramente estimula.

A minha liderança está impressa no exemplo no terreno, no bom senso, no sentido de justiça nas tomadas de decisão e na irreverência dos projetos em que me envolvo. Eu acredito, o entusiamo propaga-se e acabamos por acreditar juntos, por isso criamos valor, espírito de grupo e inovação. Para além disso, o maior desafio que um líder pode ter, é certamente a delegação, encontrar talento e passar o conhecimento para as pessoas, no sentido de as ajudar também a elas a superar obstáculos, criando valores para que assim possam ser cada vez melhores.

Liderança não é perceber até onde se pode avançar a nível pessoal, mas sim até onde se pode fazer avançar os outros, individual e coletivamente. A verdadeira liderança não depende de se ser homem ou mulher, mas da força, caráter e espírito de serviço que cada um tem dentro de si, citando Isabel Vaz.


Gostaria de dar a conhecer alguns projetos que tenha desenvolvido ou esteja a desenvolver?

Num grupo como a ESS, temos muitos projetos em fase embrionária, outros tantos em implementação e alguns já em fase de maturação.
Apostamos no desenvolvimento profissional dos colaboradores e para além disso no desenvolvimento de projetos de investigação que possam constituir uma mais valia para a organização.

Uma das áreas que tenho sob gestão é a Urgência. É um desafio constante. É uma área que “alimenta” muitas áreas assistenciais de um Hospital, com muitos médicos de front-office, de Sala de Observação, de várias especialidades médicas e cirúrgicas, equipas de enfermagem e técnicos de saúde, pessoal administrativo etc. Tem muitas variáveis, e só controlando todas elas, clínicas e não clínicas, se consegue obter a satisfação de cada doente.

O Centro de Imagiologia, por exemplo, diferenciou-se em unidades de imagem funcionais especializadas, como Musculo-esquelética, Cárdio Vascular, Unidade da Mulher, Pulmão, Uro-Genital, entre outras, o que permite que se desenvolvam projetos de investigação e ensaios clínicos em cada uma das áreas de forma diferenciada. Atualmente, temos um protocolo a decorrer com a Universidade Nova de Lisboa, relacionado com as neurociências, no qual realizamos estudos funcionais crânio-encefálicos em ressonância magnética.

Para além disso, apostamos numa área que atualmente é fundamental para a organização que é a Qualidade. Um dos últimos projetos alcançados com sucesso foi a Certificação do Departamento de Imagiologia pela ISO9001 e a Acreditação do Hospital Beatriz Ângelo em 2 anos desde a abertura (2012). Foi um grande desafio que só foi possível pelo envolvimento brilhante de todas as equipas no terreno.

O Centro de Medicina e Patologia Desportiva, projeto em desenvolvimento, onde estou inserido, sendo um dos core business do Hospital da Luz, com cuidados médicos de excelência em áreas como Ortopedia, Imagiologia, Fisiatria, Cardiologia, entre outros. Temos como objetivo, ser também a referência nesta área para atletas amadores e profissionais.

Queremos estar na” crista da onda”, no que respeita à inovação e tecnologia, para isso apostamos no desenvolvimento profissional dos nossos recursos humanos, porque o que faz o sucesso das grandes empresas são as pessoas!


O seu curso de licenciatura foi a sua primeira opção?

Não, foi a segunda, sendo a primeira Enfermagem. Hoje, ao contrário do que pode ser mais óbvio que escolheria Gestão ou Economia, a minha opção seria novamente por áreas clínicas tal como o fiz em 1995. Por exemplo as Tecnologias da Saúde, não só pela qualidade do ensino, como pelos diversos percursos profissionais que estas áreas cientificas abrangem. Uma das competências importantes que qualquer gestor hospitalar pode ter é a possibilidade de um percurso profissional com prevalência forte e passado em áreas clínicas.


Como teve conhecimento do curso de licenciatura?

Através da minha mãe que, conhecendo a minha preferência e aptidão para a área da Saúde, me ajudou e aconselhou. E em boa hora o fez, porque todo o meu percurso académico devo aos meus pais, mas sobretudo à minha mãe.


Porque escolheu a ESTeSL?

Em 1995, penso que não existiam escolas privadas, era a única em Lisboa e mais perto de Santarém. Portanto, essa foi a razão principal da escolha. Só quando frequentei a ESTeSL, me apercebi da qualidade da Escola e sobretudo do projeto que os responsáveis tinham para o futuro do ensino das tecnologias. A crença, a visão e a coragem dessas pessoas no projeto ESTeSL foram extraordinários, e hoje servem de exemplo para muitos desafios a que me proponho e que me parecem impossíveis de concretizar à partida.


O que recorda da ESTeSL?

Eu frequentei a ESTeSL em dois momentos distintos. No tempo das aulas divididas entre o quartel militar de Campo de Ourique e a sede da escola em Entrecampos, num período conturbado e decisivo para o seu sucesso, com a realização de muitas RGA na luta pelo reconhecimento do ensino e das profissões, luta a que dei o meu contributo, fazendo parte da Associação de Estudantes. Desse período, recordo evidentemente os colegas, sobretudo os que me acompanharam durante 8 anos enquanto Técnico Radiologia. Recordo ainda alguns colaboradores da ESTeSL, que viviam intensamente para o desenvolvimento da própria instituição, e os professores, nomeadamente, talvez o maior responsável pela qualidade organizativa que a ESTeSL teve – Prof. Manuel Correia. Um dia, ensinou-me um lema que hoje utilizo com novos profissionais das equipas com quem trabalho: “o bom profissional não é aquele que faz tudo bem à primeira, mas sim o que erra à primeira, entende o erro, corrige-o e faz bem a partir da segunda vez”.

Posteriormente, frequentei a ESTeSL na conclusão da licenciatura, já nas instalações do Parque das nações. Uma ESTeSL completamente diferente para melhor, com instalações e auditórios de topo no ensino em Portugal, apetrechada com laboratórios, tecnologia e equipamentos para os estudantes simularem ambientes hospitalares e com uma organização em termos científicos fantástica.

O que diferencia a ESTeSL?

A exigência do seu ensino, na preparação dos alunos para o mercado de trabalho. Essencialmente aposta, não só na difusão do conhecimento científico que pauta a prática, mas também na estimulação de características individuais essenciais nos dias de hoje, nomeadamente, a perseverança a gestão do stress, etc.

Para além disso, a ESTeSL diferencia-se por “abrir” as suas portas ao mundo exterior, nomeadamente à rede de cuidados de saúde, o que permite uma colaboração estreita no desenvolvimento de pequenos projetos e trabalhos de investigação.


Gostaria de deixar uma mensagem ou conselhos para os nossos atuais estudantes?

Apostem no conhecimento científico, com o suporte duma escola como a ESTeSL, como um pilar muito importante para a vossa prática, mas não esqueçam que apenas têm a “estrutura da casa” ao terminarem a licenciatura, precisam de construir o resto. Costumo dizer: a licenciatura é apenas a licença para começar a aprender.

A postura profissional deve assentar na perseverança para atingir resultados e não desistir na primeira frustração, na proatividade para tentar ser melhor e atingir resultados e, por último, na força para acreditar, porque temos bons exemplos de sucesso!

Uma sugestão aos estudantes: nas entrevistas de emprego que possam vir a ter, arrisquem. Curriculum Vitae by the book está ultrapassado. Sejam determinados, objetivos e demonstrem onde podem criar valor na empresa e não apenas o que a empresa vos pode dar.

Neste momento a grande preocupação dos estudantes é a empregabilidade. Aspeto aliás que também me preocupa bastante. O grupo ESS tem contribuído também para combater este problema, contratando cerca de 150 novos Técnicos de Saúde nos últimos anos, licenciados pela ESTeSL em todas as áreas.