Instituto Politécnico de Lisboa

À conversa com Sabrina Venâncio… 17 jun 2014

Sabrina

Licenciada em Radioterapia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa em 2012, Sabrina Venâncio exerce hoje a sua atividade profissional no Hôpital Riviera na Suiça. Da ESTeSL recorda os laços criados e acredita que os estudantes que a Escola forma são reconhecidos como profissionais altamente qualificados na área das ciências e tecnologias da saúde.

Qual tem sido o seu percurso a nível de formação académica?

A adaptação ao ritmo de trabalho do ensino superior não foi fácil, mesmo sendo uma boa aluna no ensino secundário. No início a escola propõe várias disciplinas gerais com o intuito de preparar o aluno para as cadeiras seguintes e, por fim, vários estágios tanto observacionais como práticos.

No âmbito da Radioterapia tive a oportunidade de realizar os meus estágios em várias instituições diferentes, o que me permitiu de observar e aplicar diferentes métodos de trabalho. Por ordem, os meus estágios foram realizados: no IPO de Lisboa para aprofundar a dosimetria (planeamento dos tratamentos); no Hospital da Luz para observar os tratamentos e TCs (tomografias computorizadas); no Hospital do Espírito Santo em Évora, o meu primeiro estágio prático, onde aprendi a manipular as máquinas de tratamento e TCs, observar tratamentos de braquiterapia participando na gestão do doente; na Unidade de Radioterapia do Algarve (Quadrantes) em Faro para melhorar tudo o que adquirira antes e assim aperfeiçoar os meus gestos. Para o meu último estágio, decidi realizar ERASMUS na Suíça tendo em vista alargar os meus horizontes para outros países.

Qual tem sido o seu percurso Profissional?

No final do meu Erasmus na Suíça, no CHUV (Centre hospitalier universitaire vaudois), em Lausanne, foi-me proposto um contrato de substituição. Então realizei 5 meses de trabalho no qual pude colocar em prática tudo o que aprendi na Escola e nos estágios.

Concluída esta substituição, tomei conhecimento que haveria um novo centro de Radioterapia que iria abrir em Vevey e enviei currículo para lá pois tinha ótimas referencias. No final de Dezembro de 2012 regressei a Portugal pois estava desempregada e esperava uma resposta para este novo centro que iria abrir em Junho 2013.

No mês de Janeiro 2013 recebi um mail da parte do Hôpital Riviera para uma entrevista de emprego! Comprei logo um bilhete de avião e lá fui eu com a mochila as costas. Felizmente tinha uns familiares nas proximidades que me deram bastante apoio e que me puderam acompanhar até ao local onde iria ocorrer a entrevista. Uma vez realizada a entrevista voltei a regressar a Portugal na esperança de ter conseguido atrair e convencer este público bastante exigente. Duas semanas depois obtive a resposta: Fui aceite! Desde dia 25 de Maio de 2013 que me encontro na Suiça e até ao dia de hoje posso dizer que tenho o melhor emprego com os melhores colegas do mundo, num centro onde tivemos a primeira máquina de tratamento a nível mundial deste tipo com todos os softwares mais recentes. Um sonho.

Quais são as suas áreas de interesse a nível profissional?

Acho que a Radioterapia por ela mesmo suscita bastante interesse pois é uma área  vasta onde como técnica posso realizar atividades diferentes, deste a TC de planeamento à planificação do mesmo bem como a administração do tratamento.

Neste momento, estou a receber formação na área da Dosimetria para puder realizar a planificação de tratamentos em 3D-CRT, bem como IMRT e tratamentos em arco (VMAT). Recentemente também começámos a realizar tratamentos de radioterapia estereotáxica (SBRT) com a realização de TC em 4D e gating respiratório através do sistema ABC. Gostaria de aprofundar mais os meus conhecimentos relativamente à radioterapia hipofraccionada pois parece ser o futuro mas não existem ainda estudos suficientes para o provar.

Porquê a escolha de uma carreira internacional?

Infelizmente, no nosso país é bastante complicado encontrar emprego e ter possibilidade de evolução profissional. O que eu busco não é apenas um emprego que me permita pagar as contas no final do mês, mas sim uma atividade interessante na qual possa progredir e mostrar quem eu sou. Apesar de ser jovem já tive a possibilidade de construir um serviço de radioterapia desde a raiz, realizando vários protocolos e participar no Congresso mais importante da Suíça dedicado à Radioterapia (SASRO) com uma apresentação de um trabalho. Tive ainda a oportunidade de participar em formações complementares, desde a manipulação do acelerador linear à TC, Gating respiratório, dosimetria, SBRT, entre outras.

Neste país investe-se muito nos profissionais, não só no ramo da saúde, e dão muita importância à formação contínua.

Talvez seja suspeita por falar assim da Suíça pois eu nasci cá e vivi cá até 2004.

O seu curso de licenciatura foi a sua primeira opção?

Não, foi a minha segunda opção pois na altura em que me candidatei tinha escolhido Radiologia (ESTeSL) como primeira e fui colocada em Évora em Reabilitação Psicomotora. Depois voltei a pesquisar na Internet mais sobre a Radioterapia e achei muito interessante. Na segunda fase candidatei-me diretamente e consegui entrar. 

Como teve conhecimento do curso de licenciatura?

Como referi anteriormente candidatei-me como primeira opção em Radiologia na ESTeSL e reparei que havia um curso chamado Radioterapia. Fui pesquisar e achei interessante, mas foi uma pesquisa muito diminuta. Uma vez que não entrei em Radiologia aprofundei a minha pesquisa e vim a descobrir que era uma área muito interessante e muito variada.

Porque escolheu a ESTESL?

Em primeiro lugar porque tinha família em Lisboa e queria uma escola pública onde as medias fossem um pouco altas, para mim sinónimo de bons alunos portanto boa instituição. E em segundo porque era lá que encontrava o curso de Radioterapia pois no país apenas temos Lisboa e Porto

O que recorda da ESTeSL?

O momento em que cheguei a escola e que não conhecia ninguém e o facto de ter chegado na segunda fase os estudantes já terem criado laços graças às atividades de integração. Senti-me isolada e sozinha...durante 5 minutos! A partir desse momento senti que tinha encontrado algo de muito bom. O ambiente na ESTeSL é muito bom, mesmo com os professores. Recordo-me das praxes, da primeira vez que meti o traje, de quando passei as minhas primeiras cadeiras e de quando no final fui buscar o meu diploma a secretaria e gritei para mim mesma: Consegui!

Só há uma coisa da qual me arrependo: não ter estado presente na queima das fitas...infelizmente não pude participar pois estava na Suíça de Erasmus, o que no final de contas foi uma mais-valia!

O que diferencia a ESTeSL?

No que diz respeito ao curso que concluí, a vantagem que a ESTeSL tem sobre outros países como a Suíça é que somos reconhecidos como profissionais altamente qualificados na nossa área.

Gostaria de deixar uma mensagem ou conselhos para os nossos atuais estudantes?

Gostaria de dizer aos estudantes da ESTeSL para lutarem pelo futuro deles, não se deixarem deitar abaixo pois na nossa escola temos uma formação muito completa em comparação a outras universidades e mesmo a outros países. Se gostam do que fazem continuem pois não há sensação melhor do que se sentir concretizado.