Instituto Politécnico de Lisboa

Estudo “Prevalência de obstrução numa população exposta ao fumo do tabaco – Projecto PNEUMOBIL" 14 dez 2009

O estudo “Prevalência de obstrução numa população exposta ao fumo do tabaco – Projecto PNEUMOBIL”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia em parceria com a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), incide sobre fumadores e ex-fumadores com idade igual ou superior aos 40 anos e procura sensibilizar para a importância do diagnóstico precoce da DPOC através de espirometria.
Cristina Bárbara, Coordenadora do estudo verifica que “o reconhecimento da DPOC é muito reduzido entre a população. Há um insuficiente diagnóstico e tanto fumadores como ex-fumadores, continua a ignorar os principais sintomas, como a tosse e a expectoração. Nesta amostra detectámos que a exposição tabágica tem início aos 17 anos e paragem aos 40. O consumo médio de cigarros é de 18 por dia e 35 maços de tabaco por ano. O tempo de exposição total é, em média, de 28 anos”.
“A DPOC é uma doença incapacitante que urge um diagnóstico precoce, de modo a atrasar o declínio da função respiratória, as limitações na actividade profissional e a melhoria da qualidade de vida. Observa-se uma elevada prevalência da obstrução respiratória, de 30% no sexo masculino e 25% sexo feminino. A publicação do estudo PNEUMOBIL vem enriquecer os dados sobre a DPOC e valorizar do diagnóstico através da espirometria à população em risco”, explica Cristina Bárbara.
Parte dos indivíduos foi entrevistada em empresas privadas e outra parte junto de hospitais públicos e centros de saúde. Os principais resultados mostram que:
  • 28,7% dos homens e 29,1% das mulheres no grupo público, tossem habitualmente comparativamente a 19,1% dos homens e das mulheres do grupo privado;
  • 31,3% dos homens e 32,2% das mulheres no grupo público têm queixas regulares de expectoração e manifestavam dispneia (falta de ar), 25 a 40% dos indivíduos estudados;
  • Muitos dos inquiridos, sobretudo no grupo público, não tinham qualquer acompanhamento médico e nunca tinham realizado uma espirometria, apesar de todos eles serem fumadores ou ex-fumadores e da sua idade aconselhar a realização deste exame;
  • 25% dos inquiridos apresentaram prevalência de obstrução brônquica, apesar de 95% deste grupo desconhecer esse facto;
  • Cerca de 50% dos indivíduos rastreados ainda mantêm hábitos tabágicos, quer do sexo masculino ou feminino.

Desenho do Estudo:
O estudo, “Prevalência de obstrução numa população exposta ao fumo do tabaco – Projecto PNEUMOBIL”, é uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Iniciativa GOLD e Escola Superior de Tecnologia da Saúde (ESTeSL), com o apoio Laboratórios Boehringer Ingelheim e dos Laboratórios Pfizer.
O estudo foi realizado a 5.324 indivíduos, entre Maio de 2007 e Maio de 2008, e incidiu sobre fumadores e ex-fumadores com idade igual ou superior aos 40 anos. Foram determinados 2 grupos de avaliação: o Grupo Privado, de Empresas e o Grupo Público, de Hospitais e Centros de Saúde.
Está publicado na edição de Setembro/Outubro da Revista da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
Principais Resultados do Estudo:

Hábitos tabágicos:
  • Idade média em que ocorre a exposição ao tabaco é aos 17 anos e a idade em que termina é aos 40
  • Em média, o número de cigarros consumidos por dia é de 18
  • O tempo médio de exposição é de 28 anos
  • Cerca de 35 são as unidades maço por ano

Exposição a fumos:
  • Durante a sua vida, cerca de 50% dos indivíduos tiveram exposição a poeiras, fumos ou gases;
  • 20% do grupo privado e 15% do grupo público esteve exposto ao fumo.

Sintomas:
Tosse e expectoração
  • 29% no grupo público e 19% no grupo privado têm tosse habitual;
  • No grupo privado, a duração dos sintomas de tosse é de 8,31 anos e no público de 10,21 anos;
  • A duração dos sintomas de expectoração foi de 9,02 anos nos homens e de 9,55 anos nas mulheres no grupo privado e de 10,68 e 11,93 respectivamente no grupo público.
Pieira
  • As queixas de pieira foram mais frequentes no grupo público (40% derivado de constipações e 25% sem causa aparente);
  • A idade de início dos sintomas de pieira foi de 20,02 anos nos homens e 26,34 nas mulheres, no grupo privado e de 32,28 e 35,61 respectivamente no grupo público.
Dispneia
  • A dispneia predomina nas mulheres do grupo público (40%). A dispneia em repouso é referida por cerca de 2% no grupo privado e 6% no grupo público.
DPOC
  • Foi reconhecida a DPOC em 4% do grupo privado e em 8% no grupo público, no entanto apenas 1 em cada 3 doentes faz medicação;
  • 15 a 20% dos indivíduos referem ter conhecimento da DPOC mas apenas 7 a 13% consultaram um especialista, tendo 19% realizado espirometria;
  • Em mais de 80% dos casos, quem assegura o acompanhamento é o médico de família.

Obstrução Brônquica
  • Detectou-se prevalência de obstrução brônquica em 25% dos indivíduos, contudo 95% desconhecia este facto;
  • O risco de obstrução brônquica é menor entre os estudantes e trabalhadores na indústria alimentar e maior entre trabalhadores expostos a poeiras em fundições e construção civil.

Fonte: Grupo GCI